Carnaval RJ 2012 – Sambas-Enredos – Beija-Flor, Unidos da Tijuca, Mangueira, Vila Isabel, Salgueiro

Beija-Flor de Nilópolis

 

— Letra do Samba —

Tem magia em cada palmeira que brota em seu chão
O homem nativo da terra
Resiste em bravura
A dor da invasão
Do mar vêm três coroas
Irmão seu olhar mareja
No balanço da maré
A maldade não tem fé sangrando os mares
Mensageiro da dor
Liberdade roubou dos meus lugares
Rompendo grilhões, em busca da paz
Na força dos meus ancestrais

Na Casa Nagô a luz de Xangô, axé
Mina Jêje em ritual de fé
Chegou de Daomé, chegou de Abeokutá
Toda magia do Vodun e do Orixá

Ê rainha o bumba-meu-boi vem de lá
Eu quero ver o Cazumbá, sem a serpente acordar
Hoje a minha lágrima transborda todo mar
Fonte que a saudade não secou
Ó Ana assombração na carruagem
Os casarões são a imagem
Da história que o tempo guardou
No rádio o reggae do bom
Marrom é o tom da canção
Na terra da encantaria a arte do gênio João

Meu São Luís do Maranhão
Poema Encantado de Amor
Onde canta o sabiá
Hoje canta a Beija-Flor

 

 

Unidos da Tijuca

 — Letra do Samba —

Nessa viagem arretada
“Lua” clareia a inspiração
Vejo a realeza encantada
Com as belezas do Sertão!
“Chuva, sol” meu olhar
Brilhou em terra distante
Ai que visão deslumbrante, se avexe não!
Muié rendá é rendeira
E no tempero da feira
O barro, o mestre, a criação!

Mandacaru a flor do cangaço…
Tem “xote menina” nesse arrasta pé
Oh! Meu Padim, santo abençoado
É promessa eu pago, me guia na fé

Em cada estação, a “triste partida”
Eu vi no caminho Vida Severina
Á margem do Chico espantei o mal
Bordando o folclore raiz cultural…
Simbora que a noite já vem, “saudades do meu São João”
“Respeita Véio Januário, seus oito baixo tinhoso que só”
“Numa serenata” feliz vou cantar
No meu pé de serra festejo ao luar…
Tijuca a luz do arauto anuncia
Na carruagem da folia, hoje tem coroação!

A minha emoção vai te convidar
Canta Tijuca vem comemorar
“Inté asa branca” encontra o pavão
Pra coroar o “Rei do Sertão”

 

Estação Primeira de Mangueira

 

— Letra do Samba —

Salve a tribo dos bambas!
Onde um simples verso se torna canção…
Salve o novo palácio do samba!
O “Doce refúgio” pra inspiração
Debaixo da tamarineira
Oxóssi guerreiro me fez recordar
Um lugar… O meu berço num novo lar
Seguindo com os “pés no chão”
“Raiz” que se tornou religião
Da boêmia, dos antigos carnavais
Não esquecerei jamais!

Firma o batuque, quero sambar… Me leva!
A Surdo Um faz festa!
Esqueça a dor da vida…
Caciqueando na avenida

Sim…
Vi o bloco passando, o nobre rezando e o povo a cantar
Sim…
Era um nó na garganta ver o Bafo da Onça desfilar…
Chora, chegou a hora eu não vou ligar
Minha cultura é arte popular,
Nasceu em Fundo de Quintal…
Sou Imortal e vou dizer
Agonizar não é morrer
Mangueira, fez o meu sonho acontecer…
O povo não perde o prazer de cantar
Por todo universo minha voz ecoou
Respeite quem pôde chegar
Onde a gente chegou!

Vem festejar, na palma da mão
Eu sou o samba, “A voz do morro”!
Não dá pra conter tamanha emoção
Cacique e Mangueira num só coração

 

Unidos de Vila Isabel

 

— Letra do Samba —

Vibra óh minha Vila
A sua alma tem negra vocação
Somos a pura raiz do samba
Bate meu peito à sua pulsação
Incorpora outra vez Kizomba e segue na missão
Tambor africano ecoando, solo feiticeiro
Na cor da pele, o negro
Fogo aos olhos que invadem,
Pra quem é de lá
Forja o orgulho, chama pra lutar

Reina ginga ê matamba vem ver a lua de Luanda nos guiar
Reina ginga ê matamba negra de Zambi, sua terra é seu altar

Somos cultura que embarca
Navio negreiro, correntes da escravidão
Temos o sangue de Angola
Correndo na veia, luta e libertação
A saga de ancestrais
Que por aqui perpetuou
A fé, os rituais, um elo de amor
Pelos terreiros (Dança, jongo, capoeira)
Nasci o samba (Ao sabor de um chorinho)
Tia Ciata embalou
Com braços de violões e cavaquinhos a tocar
Nesse cortejo (A herança verdadeira)
A nossa Vila (Agradece com carinho)
Viva o povo de Angola e o negro Rei Martinho

Samba de lá, que eu sambo de cá
Já clareou, o dia de paz
Vai ressoar o canto livre
Nos meus tambores, o sonho vive (Á Vila)

 

Acadêmicos do Salgueiro

 

— Letra do Samba —

Sou Cabra da Peste
Oh! Minha “Fia”, eu vim de longe pro Salgueiro
Em trovas, errante, guardei
Rainhas e reis, e até heróico bandoleiro
Na feira vi o meu reinado que surgia
Qual folhetim, mais um “cadim”, vixe Maria!”
Os doze do imperador
Que conquistou o romanceiro popular
Viagem na barca, a ave encantada
Amor que vence na lenda
Mistério pairando no ar

Cabra macho justiceiro
Virgulino, é Lampião!
Salve, Antônio Conselheiro
O profeta do Sertão

Vá de retro, sai assombração
Volta pra ilusão do além
No repente do verso
O “bicho” perverso, não pega ninguém
Oh! Meu “Padinho”, venha me abençoar
Meu santo é forte, desse “cão”  vai me apartar
Quero chegar ao céu num sonho divinal!
É carnaval! É carnaval!
Salgueiro, teus trovadores são poetas da canção
Traz sua côrte, é dia de coroação
Não se “avexe” não

Salgueiro é amor, que mora no peito
Com todo respeito, o rei da folia
Eu sou o cordel branco e encarnado
“Danado” pra versar na Academia

 

 

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