Sabatina com Presidentes – Luciana Genro – PSOL

 

O Dexaketo enviou 20 perguntas para todos os candidatos a presidentes da república. As perguntas foram as mesmas para todos os candidatos, assim asseguramos a Isonomia no processo. As 20 perguntas abordam os mais distintos aspectos socioeconômicos do país. Abordamos temas como educação, segurança, questões agrárias e muitas outras de interesse do grande público e dos internautas deste blog. 

A candidata Luciana Genro, do PSOL, foi a primeira nos enviar as respostas da sabatina. Agradecemos bastante a todo o pessoal envolvido na campanha da candidata que nos tratou sempre muito bem, e apesar de não sermos uma grande mídia, nos deu atenção, e fico grato por isso. Muito Obrigado, Luciana, Raquel, pessoal das mídias da candidatura e do PSOL. As respostas da candidata foram essas:

Luciana Genro

1 – Candidato (a), qual seria seu principal projeto para o Brasil?
Queremos ampliar a democracia e os direitos do povo. E isso só será possível contrariando interesses dos muito ricos, dos grandes bancos e empreiteiras. Nós vamos governar para a maioria do povo. Nossa primeira medida é a Revolução Tributária, cobrando mais de quem tem mais. Vamos propor a regulamentação do Imposto de Grandes Fortunas, cobrando 5% ao ano de fortunas acima de R$ 50 milhões. Além de determinar a Auditoria da Dívida Pública, que consome 40% do Orçamento da União todos os anos, para garantir mais lucros aos banqueiros.

2 – Que áreas serão prioridades do seu mandato?
A nossa prioridade é reestruturar a lógica da política econômica atual. Nossa luta imediata será para que a economia do Brasil não siga amarrada aos interesses do grande capital financeiro. Enquanto Dilma, Aécio e Marina disputam o posto de fiadores do ajuste fiscal e do cumprimento das metas de superávit primário, nós daremos fim à desregulamentação da economia e da abertura financeira e comercial irresponsável, bem como implantaremos um rígido controle de capitais para inibir a especulação.

3 – Quais investimentos serão feitos nas áreas das telecomunicações, principalmente em relação a internet?
As políticas de telecomunicações devem estar pautadas pelo interesse público e pela garantia de acesso por todos. Defendemos a universalização da banda larga, pois acreditamos que o acesso à Internet é condição indispensável para o exercício pleno da cidadania e instrumento para inclusão política, social, cultural e econômica das pessoas em um mundo interconectado pelas tecnologias digitais. Defendo a reestatização e controle público das telecomunicações, um setor estratégico, como forma de permitir o acesso universal à banda larga, com segurança e privacidade contra a espionagem de outros países e, por fim, um serviço de telefonia barato e que funcione, ao contrário do oferecido pelas atuais operadoras privadas.

4 – Como seu governo se comunicará com a oposição?
Através do diálogo acerca de projetos e propostas para o Brasil. Jamais através da compra de apoio ou troca de ministérios. Vamos construir canais com a sociedade, movimentos, partidos e entidades para construir as melhores soluções para a vida do povo brasileiro.

5 – Como e quanto investirá para a melhoria do trânsito nas grandes cidades?
Para melhorar o trânsito nas grandes cidades é fundamental investir em transporte público de qualidade. O primeiro passo é a mudança de mentalidade: para nós o transporte público é um direito e não deve ser tratado como mercadoria, em busca do lucro. Vamos criar um sistema nacional de transporte público, com forte financiamento do governo federal, para resolver esse grande problema de nossas cidades, em parcerias com sindicatos, movimentos urbanos, governos estaduais e prefeituras. Transporte público de qualidade, rápido, confortável e com tarifa zero é possível. Vale ressaltar que o sistema de transporte sobre trilho é o melhor sistema para transporte de massas em deslocamentos urbanos. O governo federal, em parceria com estados e municípios, precisa investir para conseguir fazer uma expansão significativa do metrô, da conexão de modais, além de incentivar o uso de bicicletas.

6 – Como e quanto investirá para melhoria no tratamento de doenças no país?
Essa questão não tem segredo. É investir massivamente. Há um grande movimento nacional, o Saúde+10, que luta pela aplicação de 10% do PIB na Saúde. Faltam materiais básicos de atendimento, como vacinas, medicamentos, utensílios hospitalares. Isso não pode ocorrer de jeito nenhum. Precisamos contratar mais profissionais da saúde e oferecer bons salários. Isso tudo exige recurso público. Em suma, queremos implantar uma grande Lei de Responsabilidade Social no Brasil. Isso passa também pelo resgate do Sistema Único de Saúde, uma conquista da população brasileira, que ano a ano é degradado e desvalorizado. Além de investir pesado no SUS nós vamos acabar com o aparelhamento político na gestão da saúde. A saúde pública deve ser gerida pelos próprios trabalhadores da área e não por políticos que trocam seu apoio no governo por cargos em ministérios e gestões de hospitais. O maior grupo hospitalar federal do Rio Grande do Sul, o Grupo Hospitalar Conceição, em Porto Alegre, é dominado pelo PMDB e PCdoB, por exemplo. A lógica da governabilidade como um balcão de negócios não pode seguir à custa de mais sofrimento ao povo.

7 – Como seu governo pensa em se relacionar com outros países?
O Brasil deve construir uma verdadeira integração latino-americana dos povos e não somente dos mercados, como se fez de maneira muito insuficiente no Mercosul. Precisamos ainda expressar internacionalmente uma nova diplomacia solidária e ativa aos povos do mundo, com ações efetivas contra os abusos cometidos, como o massacre de Israel na Palestina. Devemos ser parte da política mundial, numa perspectiva antibélica. O Brasil não deve enviar tropas e armas, mas sim assistência humanitária aos povos conflagrados do mundo. Devemos ainda desaprovar rupturas institucionais, como nos golpes de Estado em Honduras e no Paraguai.

8 – Como e quanto investirá nas bolsas do pró-uni e de projetos de extensão das universidades federais?

Queremos ampliar o acesso à educação pública de qualidade, com a preservação do ensino-pesquisa-extensão. Vamos investir 10% do PIB na Educação para atingir o objetivo de universalização do Ensino Superior.

9 – Como seu governo priorizará as ações de combate ao desmatamento, na Amazônia, Pantanal e Mata Atlântica, e as poluições das águas em todas as regiões do país?
É preciso mudar o modelo de desenvolvimento. Queremos um novo paradigma de desenvolvimento centrado no respeito aos direitos humanos e ao meio-ambiente. Nós recebemos as propostas de meio ambiente elaboradas pelo Greenpeace. Elas defendem a adoção imediata de uma política de desmatamento zero para as florestas do país, passando pela regularização fundiária e terminando por garantir pesados investimentos em tecnologia e novos modelos de controle de produtos florestais, como a extração madeireira. Estive na aldeia Anacé, em São Gonçalo do Amarante/CE, atingida diretamente pelo Complexo Industrial e Portuário de Pecém. É inadmissível o que o governo federal fez naquela região. Máquinas, poluição e degradação socioambiental sob o discurso do progresso. Não há progresso quando as pessoas estão sem água potável e o canal que foi desviado do Rio São Francisco atende às indústrias e não às comunidades que ali residem há muitas gerações.

10 – Como o seu governo agirá sobre as questões agrárias no país?
Defendemos para o campo a Reforma Agrária Popular, elaborada pelo Movimento dos Trabalhadores e Trabalhadoras Sem Terra, o MST, e por propostas de diversos movimentos do campo. É necessário enfrentar o agronegócio que desemprega no campo, baseado na soja para a exportação, com utilização ostensiva de agrotóxicos e transgênicos, que tem isenção de impostos (por isso conseguem ter preços mais baixos que a produção orgânica) e que não contribui em nada para soberania alimentar e para a saúde das pessoas.

11 – Como o seu governo agirá sobre as questões econômicas do país?
A nossa principal proposta para mudar a lógica da economia é colocar em prática uma reforma tributária, com foco na taxação de grandes fortunas. Atualmente temos 15 famílias que concentram uma riqueza equivalente a 10 vezes o que o Brasil gasta com o Bolsa Família. Além disso, 52% da arrecadação tributária vem daqueles que ganham até três salários mínimos. Precisamos mudar isso. Não quero tributar os riquinhos, quero tributar os ricaços. A partir de R$ 50 milhões, a pessoa paga uma alíquota de 5% ao ano. Conseguiríamos arrecadar R$ 90 bilhões, que seriam investidos em saúde e educação. É realmente um imposto para fazer distribuição de renda, e ele já está na Constituição, não sou que estou inventando.

12 – Que ações, o seu governo planeja para o desenvolvimento das microempresas no país, e principalmente dos microempresários individuais?

Vamos estimular ações que gerem emprego formal, com carteira assinada e direitos trabalhistas. É possível ter novos empreendimentos de micro e pequeno porte que atendam a essa condição. Nosso governo será parceiro do combate ao monopólio e oligopólio nos setores da economia, por isso é preciso de presença do Estado em setores estratégicos e no combate a medidas destrutivas de concorrência.

13 – O que, em seu mandato, estará orientado em investimentos nas áreas da arte e da cultura?

Estamos em diálogo com diversos movimentos culturais. O fundamental apontado é que o incentivo à arte e à cultura não seja baseado nos interesses dos grandes projetos comerciais, mas sim no desenvolvimento de produções locais, com forte componente regional e que os critérios de apoio não esteja centrado na rentabilidade do projeto, e sim no interesse da promoção da cultura nacional.

14 – Como o seu governo se relacionará com as questões do esporte no país?
Nós assumimos a proposta de esporte organizada pelo jornalista Juca Kfouri. Em resumo, ela vê o papel do Estado como responsável pela democratização do acesso à prática esportiva, fator de saúde pública e não voltada aos esportes de rendimento, tarefa da iniciativa privada.

15 – O que seu mandato planeja para o desenvolvimento para aumentar o campo de exploração de pesquisas feitas dentro das universidades federais?

Essa é outra questão que entendemos como estratégica. O Brasil precisa dar um passo decisivo rumo à tecnologia de ponta e isso só será possível com integração com outros países em desenvolvimento e com forte expansão da pesquisa nas Universidades Federais, que junto com as Universidades Estaduais públicas são responsáveis por grande maioria da pesquisa produzida no Brasil.

16 – Que projetos estão envolvidos para o desenvolvimento, melhoria e manutenção das rodovias e ferrovias?

Acreditamos que a expansão das ferrovias é a melhor alternativa para distribuição da produção agrária e industrial. Isso aliviaria o uso das rodovias, o que barateia sua manutenção.

17 – Quais são os principais projetos voltados para melhoria do sistema educacional do país?
Temos como meta para a educação, pagar o piso salarial nacional para o magistério, erradicar o analfabetismo e universalizar o Ensino Superior. Tudo isso será possível dobrando o investimento e destinando 10% do PIB na área. Há uma demanda represada de milhões de pessoas que querem entrar na universidade e não conseguem pela incapacidade do poder público que não abre mais vagas. Os números do ENEM mostram isso. No ano passado, foram 1,1 milhão de vagas em instituições de ensino superior para mais de 7 milhões de inscritos, o que significa que apenas 15% dos estudantes que fizeram o Enem em 2013 conseguiram uma vaga. Para onde vão esses 85% que não são selecionados? Batem na porta das universidades privadas, que em sua maioria são fábricas de diploma e não de conhecimento científico. O endividamento e a evasão de estudantes na rede privada é também um problema. Vamos investir massivamente na educação.

18 – Quais os investimentos serão feitos para o fortalecimento do sistema de defesa das fronteiras do país e quais recursos serão destinados para as forças militares?

Vamos construir um novo projeto para as fronteiras com os órgãos responsáveis como a Receita Federal, a Polícia Federal, a Polícia Rodoviária Federal e as Forças Armadas. Queremos escutar os sindicatos e associações que produzem conteúdo na área, como o projeto Fronteiras Abertas, desenvolvido pelo Sindireceita, que representa os Analistas-Tributários da Receita Federal. Ali há um diagnóstico e diversas medidas para isso, como o aumento de efetivo e aparelhamento, mas fundamentalmente mecanismos de fixação de pessoal. No governo, eu regulamentaria a Indenização de Fronteiras, aprovada no Congresso Nacional no fim de 2013 e até agora não implementada.

19 – Que projetos, ainda não citados, são importantes para o desenvolvimento da nação, que você gostaria de citar?

Reforma Política realizada através da mobilização popular. O atual Congresso Nacional, pela sua composição e pelo próprio sistema eleitoral vigente, está capturado por interesses econômicos contrários à reforma política. Sou simpática à ideia de uma Constituinte exclusiva para reforma do sistema político, proposta de diversos movimentos sociais.

20 – Porque você é o melhor candidato (a)?
Sou a melhor opção porque acredito na necessidade de construir uma alternativa de esquerda coerente, que tenha coragem de defender as bandeiras que o PT abandonou e que o povo retomou com mais força a partir das manifestações de junho de 2013. Tenho como bagagem quase 30 anos de militância política, sendo 8 anos como deputada estadual e mais 8 como deputada federal, sempre pautada pela defesa dos direitos da classe trabalhadora e do povo.

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