Um pouquinho de Amor Faz Mal a Ninguém - Dexaketo

O Barbudo me fazia caminhar em uma praia desconhecida agora, e quanto mais eu o indagava, mais ele mudo ficava. Caminhamos quase um quilômetro até que ele disse: “Olhe para aquele quarto ali!” – Não entendi, mas olhei. Uma bela loira toda sedutora com um cara velho roçando em suas costas. Após alguns segundos olhando a cena, ele bate palma, e estávamos em um quartinho de apartamento. O barbudo pede para mim olhar para o sofá, quando olho a mesma moça chorando. Perguntei o porquê. O Barbudo diz: “Se ela chora, a culpa é de vocês que a contratam para uma noite, mas a culpa também é de vocês quando vemos esses móveis, essa TV, esse apartamento bacana. Mas olha o que ela faz sempre que pode … chora! Por quê? Nem tudo é tudo!” Após isso, voltamos para a praia.

Na praia, o barbudo senta e eu sento junto. Ele pede para mim olhar um casal. O barbudo diz: “Ela está endividada, os três cartões de crédito. Ele mora ainda na casa da mãe e não tem dinheiro para o picolé. E como os dois estão? … Sorrindo, felizes … Tudo é isso! A vida foi feita para se viver.” O barbudo bate as benditas palmas novamente, e voltamos para o depósito escuro, entre aspas – adega.

O barbudo me diz algumas palavras: “Irmão, de que adianta ser o melhor, mas não ter ninguém para dividir isso. De que adianta várias, se sempre que sentes frio, não há alguma para te aquecer? E esse dinheiro todo, ele não te faz feliz, ele te ilude. Saiba que para o ser humano ser feliz basta outro ser humano que sinta afeição por ele. Tenha um bom dia … Agora acorda!” Quando o barbudo pede para mim acordar, estou eu no sofá e não mais na minha cama. Mas algo mudara em mim ou não? Quem era o barbudo? E que conversa era aquela?