Em 2016, poderemos ter mais uma edição da Copa Sul-Minas (a última aconteceu em 2002). Ontem, alguns clubes do sul do país, além de Cruzeiro e Atlético-MG, junto com os líderes da Federação Catarinense de Futebol, liderados pelo vice-presidente do Coritiba, reuniram-se e definiram que recriarão o regional, afim de terem um primeiro semestre mais forte. Em nenhum momento, os clubes afirmaram que abandonariam os estaduais, mas teriam uma competição a mais no primeiro semestre, como já acontece com os clubes do Norte e Nordeste (Copa Verde e Nordestão), e uma competição com um nível técnico mais elevado que os típicos estaduais.

A recriação da Sul-Minas abriu espaço para Flamengo e Fluminense fugirem do estadual da FERJ (Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro). Na reunião, foi feito o convite oficial para os clubes cariocas jogarem o regional, que originalmente, contaria somente com a participação dos clubes de MG, PR, SC e RS. Desde o início da temporada, a dupla Fla-Flu demonstram sua insatisfação com o modo que a FERJ comanda o campeonato estadual do Rio de Janeiro, e avisaram que a edição de 2015 seria a última disputada pelas duas equipes.

O presidente da Federação Catarinense (quase eterno por sinal) e vice-presidente da CBF, Delfim Peixoto, afirmou que a Copa Sul-Minas será organizada pelas federações estaduais e não pela CBF, mas não se trata da criação de uma liga, só de uma copa, organizada em conjunto pelas 4 federações. Além disso, a competição ainda passará pelo aval da CBF para seu surgimento, mas segundo Delfim, Del Nero já é favorável a criação da competição,e  isso é somente um detalhe burocrático.

— OPINIÃO —

O convite a dupla Fla-Flu, pode propiciar um novo momento do futebol nacional, pois segundo o regulamento geral de competições da CBF, para se jogar uma competição da CBF, como Copa do Brasil e Brasileirão, um clube tem que está devidamente associado a uma federação estadual, mas como a Sul-Minas, não será uma competição organizada pela CBF, abre a possibilidade de disputa da dupla. Mas como será uma competição, organizada por federações, abre a possibilidade dos clubes se manterem na disputa da Copa do Brasil e do Brasileirão, mesmo não estando filiadas a FERJ. A FERJ já “tremeu” e já demonstra sua insatisfação com a recriação do torneio e entrará com o pedido de invalidez do torneio junto a CBF. Mas como já foi dito pelo presidente da federação catarinense, a competição já é de agrado tanto para CBF quanto para Globo, detentora dos direitos de transmissão dos campeonatos nacionais e estaduais, que há tempos demonstra insatisfação da audiência alcançada com os últimos estaduais, e muita satisfação com a audiência alcançada, principalmente, com o Nordestão. Além disso, uma competição que reunirá clubes como 6 dos 12 “gigantes” do futebol brasileiro, se enfrentando, durante o primeiro semestre, não parece ser um produto menos valorizado que os fracos estaduais.

A possibilidade real de Fla-Flu abandonarem a FERJ, seria um importante avanço ao futebol brasileiro, apesar de ser um drible na regra. É importante reconhecermos que os clubes são muito maiores que qualquer federação estadual, que hoje, principalmente hoje, são estas os principais empecilhos para a mudança do futebol, e não pelos estaduais, mas pelos “dinossauros pré-históricos”, que só pensam em seus bolsos, e não com o desenvolvimento do nosso futebol, principalmente instituições como a FERJ, que se aproveitam e apequenam clubes gigantes como os 4 grandes do Rio, quando sugam as rendas dos clássicos durante o seu insignificante e mórbido torneio estadual, que é fracasso de público, renda e audiência.

A saída do Fla-Flu do fraco carioca para um Sul-Minas, que terá clubes como a dupla Grenal e a dupla mineira, além de paranaenses e catarinenses, clubes com participação regular na Série A do Brasileirão, será enriquecedor tanto para a dupla carioca, quanto para a competição, que apesar de ter ou não os times do Rio, será bastante disputada e de alto nível técnico.

Que aconteça isso, que a dupla Fla-Flu cumpram com sua ameaça, para a FERJ e outras federações perceberem que sua força é algo mais abstrato que as paixões deste blogueiro, que os clubes e suas torcidas são maiores que o poder ridículo que estes dirigentes arcaicos possuem no futebol do país. Os estaduais são importantes, as federações deveriam ser, mas estas, hoje, são a fonte de toda a hemorragia que sofre o nosso futebol.