Um psicólogo muito experiente descobriu que teria uma paciente muito especial naquele dia. Ao chegar no consultório, deu de cara com a Mula Sem Cabeça. A Mula não sentou no Divã, pois seus músculos não estavam treinado para executar tal movimento, mas ali em pé, ela desabafou. O desabafo da Mula deixou o experiente psicólogo muito entristecido.

A Mula afirmou que durante séculos reinava soberana nos textos e lendas populares. Ela era a toda poderosa mulher que se apaixonou pelo padre e foi punida. Mas ela, há muito tempo, não era mais ninguém. As crianças não tinham mais medo de encontrar a Mula Sem Cabeça, para elas só interessava a Moto sem Guidon. Além disso, quem quer saber de uma humilhada Mula, quando existem vampiros, mutantes, zumbis, todas essas lendas norte-americanas que chegaram no Brasil junto com a Coca-Cola e o All Star. A tristeza da Mula era evidente, ela não se sentia mais útil, ela não tinha mais importância para as pessoas, nem mesmo as do interior.

O psicólogo receitou-lhe mudar de país, pois no Brasil, a tendência é ‘americanizar’ mais ainda as lendas, pois os efeitos especiais americanos são bem melhores que os brasileiros. Crianças jogam videogame em casa ou brincam em condomínio, o pai e a mãe não precisam mais falar de uma mula sem cabeça que existe no meio do mato, para elas não irem para lá. O psicólogo destruiu a deprimida Mula, que dali se retirou, e nunca mais se ouviu falar.

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