A Vidraça – Capítulo 3

CAPÍTULO ANTERIOR

Após combinarem tudo, antes mesmo de Lola voltar ao  Hotel, em que estava hospedada na Beira-Mar, Moranílson a chama para um passeio pela orla com o objetivo de reconhecer os “mirins”, pois só assim ele poderia matar os corretos.

Já próximo do Mercado dos peixes, ela encontra os meninos, aponta-os e mostra para o policial. Ele repara que estes cheiravam alguma coisa e que já conhecia aquelas “figuras”. Moranílson resolve contar para Lola como esses meninos agiam. Ele afirma que esses meninos  já agiam há algum tempo pela região da Beira-Mar. Eles assaltavam turistas e depois vendiam o que “arrecadavam” para receptadores, que compravam esses produtos e revendiam no mercado popular da cidade, assim os mirins conseguiam ter dinheiro para consumir o que cheiravam, e os receptadores, de venderem mais barato para o grande público e atrair uma maior clientela. Lola não disse nada, mas Moranílson queria mostrar serviço para a colombiana e a levou para o Centro da cidade.

Ao chegarem ao Centro, Moranílson estacionou o carro em um dos caros estacionamentos que lá haviam, e passeou com ela por uma Fortaleza que não aparece nos Cartões-Postais. A pé mesmo, passaram pelas mais distintas feiras que ocorrerem todos os dias por lá. O policial afirmou a colombiana que a maioria ali são honestos, mas existe uma “banda podre” que se misturam aos bons para não serem notados, porém ele sabia muito bem aonde encontrarem, pois esse era o “negócio” dele, receber suborno. Ela estava com muito nojo dele, mas sabia que precisava dele para alcançar o que queria.

Em meio a todo aquele povão na Praça José de Alencar, em uma das “barraquinhas de Moranílson”, Lola encontra o relógio de Valentino. O policial pergunta ao garoto que cuida da banca por quanto ele vendia aquilo e este respondeu que por 50 reais. Lola sabia que aquele relógio valia cerca de 15 mil reais, para ela foi ridículo perceber que a morte de seu companheiro foi por 50 reais. Após uma aterrorizante gargalhada, Moranílson “leva” o relógio da banca, não paga nada ao menino e ainda diz para ele agradecer, pois deveria ir preso. Antes que o menino reagisse, o policial afirmou que sabia onde morava a família dele e que se ele reagisse, seria pior a aqueles familiares. Lola ia ficando cada vez mais enojada e o policial achando que estava “arrebentando a boca do balão”.

Na volta pro hotel, Lola nem aguentava mais ouvir a voz do policial. Ele tentou ainda um beijinho, mas ela desceu do carro e só pediu para ele resolver logo aquele problema. Moranílson solta uma última cantada antes de ir embora, Lola estava no limite já.

(Próximo Capítulo)

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