Se a TV não presta, imagine a Internet

Recentemente, me deparei com a seguinte questão: “Será que pensar, em conteúdo, é realmente importante na internet?” Essa pergunta me surgiu ao procurar sobre quais os  assuntos mais “bombam” na internet, o famoso “TOP”. Analisando as redes sociais (Facebook, twitter, instagram…), Canais do Youtube (Os mais visualizados, apontados pelo site), além de conferir rankeamentos de músicas e livros mais baixados e/ou vendidos, me deparei que o conteúdo é o que menos importa, alias quanto menos pensado e mais ridículo, mais visto.

O que vale na internet hoje é o Marketing e as views. Por exemplo, uma música recentemente alcançou o topo do sucesso com um começo “sombrio”, ela começou a ser divulgada e compartilhada por ser “MUITO RUIM”, porém como um foi passando de pessoa para pessoa, aquele “MUITO RUIM” virou o grande hit do ano até aqui. Notícias Fakes costumam ser repassadas com maior velocidade que notícias comprovadas. Estudos Fakes costumam circular, na internet, com maior rapidez do que artigos científicos comprovados por anos de estudo.

Na internet, a Globo é considerada a grande vilã do “Caos Social” que vive o Brasil e da péssima qualidade televisiva existente. Apesar disso, a Globo sempre tem seus programas entre os mais debatidos e assistidos na Internet, além de replicados em vídeos do Youtube. O site Globo.com é o mais acessado do país, a frente até mesmo de redes sociais como o Twitter. O Globo Play já é um dos aplicativos mais baixados no Brasil. Os internautas criticam absurdamente a emissora, porém não mudam de canal e ficam pelo 10 (número VHF da Rede Globo em Fortaleza).

Em assuntos, como Futebol, Religião e Política, não existem debates, existem embates, onde o seu lado sempre está certo, mesmo que se prove que você se “equivocou”, você não só mantém o que disse, apesar de saber que é uma mentira, como você ainda ganha uma legião de seguidores que perpetuam sua fraude para demais pessoas, que darão ênfase ao que você disse, tornando aquela mentira uma realidade. Só a “casta” que você pertence, serve, as demais são descartáveis, utilizando essa última palavra, para não me rebaixar ao nível de muitos que acreditam que palavreado é símbolo de sinceridade, quando é somente de Mal-educação e falta de Respeito, pois até para se pronunciar um palavrão existe o momento certo.

Não estou dizendo que estou certo, que sou o “bonitão das tapiocas”, ao contrário, digo que sinto falta do real debate, de onde através das divergências de conversas e ideias, surgem coisas novas e realmente interessantes a serem realizadas e papeadas. Porém nos limitamos ao nosso umbigo e acreditamos que a verdade possui dono e que sempre é nós mesmos.

Se não bastasse a intolerância, seguimos consumindo lixo americano, lixo europeu e todo tipo de lixo. Na internet, não existe somente conteúdos desqualificados, mas existe muita coisa boa que pode ser consumida. A música brasileira é mais ampla do que o que se escuta atualmente, e existe uma diversidade de canções novas, nos mais distintos ritmos, que possuem melodia e poesia belíssimas, mas quase ninguém se toca de sua existência, devido a escravidão imposta ao atual nível sem poesia que se propaga.

Outra imposição terrível imposta aos internautas é o fato de ter que ter uma série para assistir, e não basta isso, tem que fazer maratona, conhecer os personagens e ainda ter decorado todas as falas, se não souber a primeira fala da primeira temporada, mesmo já estando na vigésima, não é fã. É uma imposição absurda e sem cabimento que se coloca. Alias, se você só assiste um episódio por dia… ou não assiste, você é estranho. Ou seja, não existe liberdade de querer, você tem que assistir maratona do seriado tal, porque todo mundo está vendo. Não estou dizendo que é errado assistir uma “maratona”, mas que não é certo impor isso a todos.

Além disso, temos a “Sociedade dos Youtubers Iguais”, exatamente, pode perceber que todos os youtubers agem do mesmo jeito, desde quando criou-se o Youtube. Normalmente, um excesso enlouquecedor de “takes”, onde as falas são curtas e emendadas a diversos “cortes” com inserções nada cautelosa e cheia de piadas idênticas. Youtubers de humor, principalmente, são todos iguais, alterando somente os assuntos abordados.

Se eu for fazer uma critica aprofundada sobre o modo de se fazer internet no Brasil, iria longe. Mas posso sintetizar tudo em “EUA faz, a gente copia”. Sem nenhuma originalidade, ou inserção de nossa real cultura brasileira, aquela de nossos avós, ou seja, uma “lixificação” concreta do que é pior para o topo do que é mais visto.

Deixo claro que o Dexaketo não é nenhum exemplo a ser seguido, estamos longe de ser uma mídia 100% confiável e de conteúdo necessário para a cultura nacional, mas pelo menos tenho a consciência de avisar a todos os navegantes que podemos mudar nosso comportamento diante essa importante ferramenta que possuímos. A internet hoje é capaz de começar e encerrar uma guerra. Então, vamos ter cuidado com o que digitamos e compartilhamos. Chega de música de meia tigela e mal produzida, de notícias fakes ou de “piti absolutista de adolescente de 13 anos”, é hora de fazermos algo para mudar a internet e nosso comportamento diante desta.

Obrigado!

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