Um “venezuelaço” para derrubar Maduro

O texto a seguir foi escrito pela LIT – Liga Internacional dos Trabalhadores, demonstrando que não é toda a esquerda que apoia o regime ditatorial de Maduro, um regime que leva a Venezuela ao fracasso social e econômico, e que só tem como objetivo manter um pequeno grupo de “puxa-sacos” no governo. Um regime que explora o trabalhadores para sustentar “malucos”.

Salve a Venezuela!

 

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As políticas chavistas não tinham nada de socialistas. Além disso, nem no âmbito do capitalismo a Venezuela se tornou mais independente do imperialismo. O chavismo não apenas manteve como aprofundou o modelo de acumulação chamado rentista petroleiro, criado durante as décadas anteriores.

De 64% das exportações em 1998, o petróleo passou a representar 92% das exportações em 2012. Por sua vez, as receitas do petróleo representavam 90% dos recursos do Estado. Ao mesmo tempo, o país foi desindustrializado: esse setor foi responsável por 18% do PIB em 1998. Em 2012 caiu para 14%.

Esse modelo de acumulação conseguiu funcionar mais ou menos bem enquanto os preços do petróleo permaneceram altos. A parte da renda que ficava com o Estado permitia o pagamento da dívida externa, a concessão das Missiones (o Bolsa Família venezuelano), a nacionalização de algumas indústrias e a oferta de negócios a outros setores burgueses.

Também se criou uma burguesia ligada ao chavismo, a “boliburguesia”. A boliburguesia acumulou inúmeras empresas e fez sua fortuna parasitando o Estado.

Esse caráter de classe burguês da direção do chavismo explica o seu fracasso. A morte de Chávez e a eleição de Maduro, com muito menos prestígio e menos habilidade política, podem ter acelerado esse fracasso.

A profunda crise do modelo rentista aumentou todas as contradições. Os confrontos com outros setores burgueses, que querem recuperar o controle do Estado para garantir seus negócios, tornaram-se muito mais difíceis. Mas o problema fundamental é o enfrentamento às massas. A crise não permite fazer mais concessões sociais. Por isso, condena os trabalhadores a uma existência miserável.

Nesse cenário, com apoio minoritário da população, o regime chavista não tem nada de populista nem de progressivo. É cada vez mais ditatorial e repressivo. Sua instituição fundamental é a cúpula das Forças Armadas, profundamente ligada à boliburguesia e à defesa dos seus lucros. Não há uma luta entre o regime socialista e a ofensiva fascista. A luta é contra um regime burguês que está agonizando e reprime a população. Portanto, é necessário condenar suas ações repressivas.

O grande problema é que a cara feia da realidade atual do chavismo e a desmoralização da maioria da esquerda que o apoiou têm feito com que a velha direita, disfarçada com novas máscaras e agrupada na Mesa de Unidade (MUD), capitalize parte importante dessa insatisfação. A responsabilidade por essa situação é do próprio chavismo. Entre outras coisas, porque, com sua ação repressiva, presenteou a direita com as bandeiras da defesa das liberdades democráticas.

ALEJANDRO ITURBE

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