“Da Visão que eu Tenho, do que eu Vivi, Não Sei Muito no que Acreditar”: Atletas da Seleção Brasileira Feminina e as Memórias de um Futebol desamparado

Resumo

O futebol, que pode ser considerado um símbolo da identidade brasileira, é atrelado à figura masculina no país. Há uma grande inconstância do futebol competitivo de mulheres no Brasil e, apesar de significativos resultados recentes do selecionado brasileiro, além da reconhecida trajetória da jogadora Marta, eleita por cinco vezes consecutivas a melhor jogadora do mundo entre 2006 e 2010, o Brasil ainda se encontra em um estágio embrionário de desenvolvimento referente às estruturas de clubes e competições. Por essa razão as seguintes perguntas norteadoras foram elaboradas: como atletas que já atuaram pela seleção brasileira de futebol feminino constituem e representam suas memórias a respeito de sua prática? De que maneira elas se posicionam frente aos problemas, dificuldades e possibilidades que este esporte apresenta no país? E ainda, de que forma são representadas as diferentes formas de feminilidade por meio de suas reminiscências? Para responder aos questionamentos propostos, recorreu-se à metodologia de História Oral, que serviu como base de elaboração e análise de entrevistas produzidas no encontro com atletas e ex-atletas de futebol feminino. Para a delimitação das entrevistadas utilizou-se como critério principal de inclusão a confirmação de passagens pela seleção brasileira a partir da década de 2000. Por se tratar de uma pesquisa que tem foco nas experiências das participantes em relação as suas práticas no futebol, foi utilizada a subdivisão metodológica de entrevistas temáticas. As entrevistas permitiram aferir que as interdições em relação às meninas no futebol não se dão necessariamente ou exclusivamente por seu sexo, mas sim pela diferença de habilidade técnica apresentada em relação à maioria dos meninos. Foi notável ainda que algumas atletas, ao mesmo tempo em que se sentem prejudicadas por algumas pressões exercidas, agem elas mesmas na consolidação dos padrões que, aparentemente, deveriam ser seguidos, já que defendem uma mudança na aparência das jogadoras de futebol para que possa haver um desenvolvimento e uma aceitação maior das mulheres na modalidade. As construções de memória também apontaram para a existência de diferentes formas de se sentir feminina, ou seja, não há uma forma de ser mulher e sim várias maneiras de se viver e entender sua própria feminilidade. Além disso, pôde-se identificar em suas narrativas que a estrutura oferecida pela CBF (Confederação Brasileira de Futebol) para a seleção brasileira parece ser uma grande exceção em meio ao universo caótico que a modalidade vive no país e que o panorama do futebol praticado no Brasil é totalmente diverso em relação àquele que é desenvolvido em países europeus nos quais algumas atletas jogaram. Para o desenvolvimento da modalidade, as atletas descreveram algumas alternativas, das quais se destacam um maior investimento nas categorias de base e a maior participação das próprias atletas na organização do futebol. Por fim, é importante frisar como as narrativas evocadas pelas atletas foram influenciadas pelas condições encontradas durante o diálogo com os pesquisadores, pelas características destes últimos e pelo trabalho da memória – aspectos que apontam para a necessidade de não tratá-las como a visão geral de uma categoria, mas sim como as diferentes formas de retratar as vivências dentro de um grupo com características símiles. Palavras-chave: Futebol; Mulheres; Amadorismo.

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Autora: Maria Thereza Oliveira Souza

Universidade Federal do Paraná

Ano: 2017

 

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