Hoje justificam truculência

como sinceridade.

Cantam ruim,

mas dizem que não escutamos

por preconceito.

 

A direita é cega,

a esquerda é surda!

Os nobres são mesquinhos

e a favela se camufla.

 

Ninguém é honesto,

todo mundo é mascarado.

É um jogo de poder

num Brasil largado.

 

A favela ecoa o nome de um ladrão,

os condomínios pedem um terrorista…

O Brasil hoje é de uma pobreza lamentável,

é sertanejo ou funk, para ser artista.

 

 

Qualquer coisa é preconceito

menos quando é preconceito de verdade.

No Brasil, em que o povo trabalha só por dinheiro

só enriquece se tiver amizade.

 

Aqui o talento está em segundo lugar,

em terceiro, quarto ou até em último.

O que vale é bajular

ou fazer um clipe emperiquitado.

 

Um poema revoltado

para um país que detesta pensar.

Querem dançar ouvindo Renato Russo

e com Mc Serginho, filosofar.

 

Encerro esse poema

para expressar minha depressão.

Não vou embora do Brasil

essa terra que para ganhar

tem que ser ladrão ou babão.