Resumo

O ombro é uma articulação naturalmente instável e dependente essencialmente dos músculos e do controle neuromuscular para a sua estabilidade. Adaptações fisiológicas na articulação glenoumeral são esperadas em atletas arremessadores devido ao movimento repetitivo e atraumático do ombro no esporte, podendo gerar déficits proprioceptivos. A propriocepção pode ser divida em três submodalidades: senso de posição articular, cinestesia e senso de força. O teste de reposicionamento articular ativo é considerado uma das formas mais funcionais de avaliação do senso de posição articular O objetivo desse estudo foi comparar o senso de posição articular do ombro em atletas femininas de handebol e voleibol. Foram avaliadas 92 atletas femininas de handebol (n=56) e voleibol (n=36) da cidade de Santa Maria, com idade entre 13 a 24 anos e que não apresentem sintomas na região de ombro e pescoço. A avaliação do senso de posição articular do membro dominante foi realizada por meio do teste de reposicionamento articular ativo utilizando um inclinômetro digital (Acummar – modelo ACU001). Durante os testes, os sujeitos permaneceram com os olhos vendados e utilizaram um fone de ouvido para diminuir o feedback visual e auditivo, respectivamente. Os movimentos avaliados foram a elevação em plano de escápula (ângulos alvos de 55º, 90º e 125°) e a rotação lateral (60º e 80°). . O erro constante no teste de reposicionamento foi analisado por meio de ANOVA de medidas repetidas de dois fatores, considerando esporte, idade ou tempo de treino fatores entre sujeitos e ângulo-alvo como fator intra-sujeito. Os testes foram realizados ao nível de significância de 5% e todas as análises estatísticas utilizaram o programa SPSS Windows (SSPS, Chigaco, IL, USA). Houve interação entre esporte e ângulo no teste de reposicionamento de elevação do ombro, com as atletas de handebol apresentando piores desempenhos a 90° quando comparado a 55° e as atletas de voleibol com maiores erros a 125° do que a 55° e 90°. Os maiores erros de reposicionamento ocorreram nas amplitudes mais altas para o movimento de elevação, sem diferenças para o movimento de rotação. As atletas mais jovens e com menor tempo de treino tiveram pior desempenho no senso de posição articular. Esses resultados demonstram diferenças no senso de posição articular em atletas de voleibol e handebol que podem servir como estratégias preventivas, especialmente em atletas mais jovens e inexperientes.

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Autora: Lilian Pinto Teixeira

Revista Manancial Repositório Digital da UFSM

Ano 2019